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Certificação Sabesp vira critério decisivo nas compras do saneamento

Com o ciclo de obras do Marco Legal, a conformidade técnica passa a pesar tanto quanto o preço na escolha de tubos e conexões; Asperbras incorporou o padrão da companhia paulista à produção

O ciclo de investimentos aberto pelo Marco Legal do Saneamento colocou o setor diante de um desafio que vai além do volume de recursos. Para cumprir a meta de levar água potável a 99% da população e coleta e tratamento de esgoto a 90% até 2033, prevista na Lei 14.026/2020, o país precisa instalar milhares de quilômetros de redes em um intervalo curto. Nesse contexto, a escolha dos materiais deixou de ser uma decisão operacional e passou a ter peso econômico: uma tubulação que falha antes do prazo transforma investimento em passivo.

É nesse ponto que a certificação técnica ganha protagonismo. Em São Paulo, o principal parâmetro são as Normas Técnicas Sabesp, as NTS, que estabelecem requisitos de material, dimensões, desempenho e ensaios para tubos, conexões e componentes usados nas redes da companhia. Na prática, elas funcionam como filtro de entrada: o produto que não comprova conformidade fica fora das licitações, independentemente de preço ou marca.

A influência dessas normas extrapola a própria Sabesp. Por ser referência técnica no setor, a companhia tem seus parâmetros replicados por outras concessionárias, por construtoras e por gestores públicos em seus processos de compra. O efeito é que a certificação se tornou uma espécie de linguagem comum do mercado de saneamento, e um ativo competitivo para quem a domina.

O custo que não aparece no orçamento da obra

Em infraestrutura enterrada, o preço de aquisição do tubo é apenas uma parte da conta. Vazamentos, infiltrações e substituições antecipadas geram custos de reparo, interrupção do serviço e perda de eficiência que, em geral, superam com folga a economia obtida na compra. Por isso, a análise mais adequada é a do custo ao longo da vida útil do ativo, e não a do menor preço unitário.

Essa lógica explica o avanço do PEAD, o polietileno de alta densidade, nas redes de água e esgoto. O material combina flexibilidade, resistência química e estanqueidade nas uniões, características associadas a menor risco de vazamento e de infiltração e a maior durabilidade. A vantagem, porém, só se confirma quando o produto atende às normas que comprovam seu desempenho em campo. Sem essa comprovação, a promessa do material vira aposta.

Entre as normas da companhia para tubos de polietileno e de PVC estão a NTS 0048, que trata dos tubos de polietileno PE 80 e PE 100 para ramais prediais de água, com diâmetro externo de 20 mm e de 32 mm; a NTS 0194, voltada aos tubos de polietileno para redes de distribuição de água; e a NTS 0187, que complementa as normas de tubos de PVC. Atender a esse conjunto significa submeter o produto a ensaios e controles que vão da matéria-prima ao item acabado, com rastreabilidade em cada etapa do processo.

Para o comprador, a certificação reduz o risco da contratação: o produto já foi validado segundo os critérios da companhia que é referência no setor. Para o fabricante, implica incorporar o padrão de forma permanente à produção, e não apenas na preparação de uma proposta. É essa diferença que separa o fornecedor qualificado do fornecedor eventual.

Escala para o novo ciclo de obras

A demanda tende a crescer. Com a desestatização da Sabesp, concluída em 2024, a companhia assumiu o compromisso de antecipar a universalização em sua área de atuação, o que amplia o volume de obras previstas para os próximos anos. Leilões de concessão em outros estados seguem na mesma direção. Para a cadeia de fornecedores, o desafio passa a ser combinar escala produtiva com conformidade técnica, sem que uma comprometa a outra.

Conformidade como rotina de produção

É nesse cenário que se posiciona a Asperbras, fabricante de tubos e conexões com sede em Penápolis (SP) e mais de 40 anos de mercado. A empresa opera com a certificação Sabesp incorporada ao processo produtivo e atende às três normas citadas. O portfólio para saneamento e esgoto reúne PE de esgoto e PVC coletor (tubos e conexões), além de conexões e ramais prediais em PEAD, um conjunto que cobre desde a rede pública até a ligação de cada imóvel. A companhia concluiu recentemente uma ampliação de R$ 50 milhões em sua capacidade produtiva, de olho justamente nas obras do Marco do Saneamento, e integra o ranking Valor 1000.

Perspectiva

Na avaliação de especialistas do setor, a tendência é que critérios técnicos ganhem ainda mais peso nas contratações à medida que os investimentos se aceleram, e que a capacidade de comprovar desempenho se torne tão relevante quanto o preço. Para concessionárias, construtoras e gestores públicos, a equação é direta: em saneamento, a escolha do tubo começa pela norma, e é a certificação que indica quais fornecedores estão preparados para sustentar o ciclo de obras que o país tem pela frente.