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Comunidade antes da casa: como a Fazenda do Lago transformou a relação com o comprador em produto

Num mercado de alto padrão mais seletivo, o Grupo CPR aposta que a experiência começa na assinatura, e não na entrega das chaves. Às margens do Lago Corumbá IV, o comprador entra por aprovação e passa a conviver com a comunidade antes de a casa existir

No roteiro tradicional do mercado imobiliário, a relação com o comprador tem dois pontos altos: a venda e a entrega das chaves. Entre eles, costuma haver anos de silêncio, interrompidos por boletos e comunicados de obra. No alto padrão, esse intervalo ficou caro. Segundo o indicador Abrainc-Fipe, as vendas de imóveis de médio e alto padrão caíram 18,6% em unidades de janeiro a novembro de 2025, na comparação com o mesmo período de 2024, enquanto os lançamentos cresceram 16,9%. Com mais lançamentos e um comprador mais seletivo, o que acontece depois da assinatura passou a pesar na decisão.

Foi nesse intervalo que o Grupo CPR decidiu trabalhar na Fazenda do Lago, empreendimento de alto padrão em Abadiânia (GO), às margens do Lago Corumbá IV, a 109 quilômetros de Brasília. Em vez de tratar o relacionamento como pós-venda, o grupo o colocou no centro do produto: o comprador passa a fazer parte de uma comunidade antes de a primeira casa ficar pronta. Fundado pelo engenheiro civil Marlon Ceni, o Grupo CPR atua há mais de 15 anos em incorporação e engenharia, com sede em São Paulo e unidades em Curitiba e Goiânia.

1. A porta de entrada é uma curadoria

O modelo começa antes da compra. Na Fazenda do Lago, entra-se por aprovação: o interessado passa por uma curadoria, que funciona como porta de entrada da comunidade. A lógica vem dos clubes privados, em que a afinidade entre os membros vale tanto quanto a estrutura. Num empreendimento de 2,8 milhões de metros quadrados de cerrado, com a primeira fase de 472 lotes em 32 quadras registrada em cartório, a curadoria define o tipo de vizinhança que vai ocupar o território.

“A curadoria não é sobre quem fica de fora. É sobre a qualidade do convívio de quem está dentro. O que vendemos, no fim, é a vizinhança”, afirma Marlon Ceni, CEO do Grupo CPR.

2. A convivência começa na assinatura

Depois da aprovação, o comprador não espera a obra terminar para viver o lugar. Segundo o grupo, a programação inclui eventos no próprio empreendimento, nas capitais e em São Paulo, e cada cliente conta com atendimento de concierge desde a aquisição.

“O cliente passa a fazer parte de uma comunidade logo na aquisição, com eventos no local, nas capitais dos estados e até em São Paulo, e desfruta de benefícios da sua concierge de atendimento. O Brasil não tem nada parecido: o cliente é o centro de tudo, depois falamos de metro quadrado”, diz Ceni.

3. O produto é o tempo de uso

A estrutura prevista no masterplan foi pensada para sustentar a relação depois da entrega: marina, piscina de ondas, campo de golfe, haras, clube de tênis, centro de bem-estar com spa, kids village e um hotel dentro do clube. Cada uma delas é, na leitura do grupo, uma razão para o comprador voltar no fim de semana seguinte, e não um item de folder. O centro de bem-estar prevê spa, academia, piscinas aquecidas, trilhas e espaços de meditação e yoga, e o hotel, também previsto, serve para esticar a estadia, porque, como diz o projeto, “o fim de semana não acaba no domingo”. O material do empreendimento resume a ideia numa frase: “Cada gesto do clube é uma razão para pertencer”.

“A venda é o primeiro dia da relação, não o último. Quem entra na Fazenda do Lago passa a conviver com a gente e com os outros membros muito antes de construir a casa”, afirma o executivo.

4. A obra como parte da confiança

Relação de longo prazo exige prova física. Por isso, a obra segue uma ordem declarada: primeiro terraplenagem, vias e drenagem; depois as redes subterrâneas de energia, fibra e água; e, em sincronia com essa base, as estruturas de lazer. Para um grupo que atua também em construção, manutenção e facilities e em engenharia para o setor de óleo e gás, mostrar o canteiro faz parte do relacionamento. A documentação segue o mesmo princípio: o parcelamento foi aprovado pelo Decreto Municipal 192/2026, o empreendimento tem a Licença de Instalação 56/2026 e é conduzido por uma sociedade de propósito específico própria.

“Não dá para pedir que alguém organize a vida em volta de um clube que ainda é desenho. Por isso construímos primeiro. Quem chega aqui não precisa acreditar na gente: basta olhar em volta”, completa Ceni.

5. O que fica para quem empreende

A experiência da Fazenda do Lago sugere uma lição que vale além do imobiliário. Quando o produto demora a ficar pronto, o relacionamento é o produto. Curadoria na entrada, convivência antes da entrega e prova física da execução formam um pacote difícil de copiar, porque depende de tempo, e não de orçamento de marketing. Num mercado de alto padrão com mais lançamentos e menos pressa para comprar, quem transforma a espera em pertencimento sai na frente.