Para profissionais que querem avançar na Análise do Comportamento Aplicada, um mestrado internacional pode representar mais do que uma nova titulação. Currículo, corpo docente, relação com certificações profissionais e possibilidade de aproveitar estudos anteriores ajudam a definir o valor dessa escolha
O acesso deixou de ser a única questão para quem considera uma formação internacional em Análise do Comportamento Aplicada (ABA). Com a expansão dos programas online, profissionais brasileiros já podem cursar um mestrado de uma universidade estrangeira sem necessariamente deixar o país.
A pergunta passa a ser outra: o que diferencia uma formação de nível de mestrado e o que avaliar antes de escolher?
O país de origem da universidade é só o começo. Para quem já atua com ABA, entram na decisão o aprofundamento acadêmico, a experiência dos professores, a relação da formação com objetivos profissionais e o caminho que ela pode abrir depois da conclusão.
A procura por formação avançada acompanha a demanda crescente por atendimento qualificado. O Censo Demográfico 2022, com resultados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em maio de 2025, identificou pela primeira vez 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de TEA (Transtorno do Espectro Autista) no país, o equivalente a 1,2% da população. Nos Estados Unidos, o CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças) estima que 1 em cada 31 crianças de 8 anos tenha diagnóstico de TEA, segundo dados de 2022 publicados em abril de 2025.
Na saúde suplementar, estudo da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) aponta que a parcela de beneficiários de até 15 anos com ao menos um atendimento de profissionais envolvidos no tratamento continuado de TEA e de outros transtornos do neurodesenvolvimento subiu de 5,24% em 2019 para 9,41% em 2023.
Em ABA, o mestrado pode representar uma nova etapa da carreira
A área se organiza em diferentes níveis de formação e certificação profissional, e isso pesa na decisão.
Na QABA, certificadora americana em Análise do Comportamento Aplicada, a credencial QBA é classificada como uma certificação de nível de mestrado. Atualmente, o candidato precisa possuir, no mínimo, um título de mestrado em área relacionada, além de cumprir requisitos de formação específica em ABA, experiência supervisionada e demais critérios estabelecidos pela certificadora.
Na IBAO, certificadora internacional, o mestrado também integra uma das rotas previstas para a credencial IBA. A organização mantém ainda uma rota baseada em experiência profissional, e ambas envolvem requisitos próprios de formação, prática supervisionada e avaliação.
Para quem já tem base em ABA e pretende assumir funções de maior responsabilidade técnica e profissional, o mestrado deixa de ser uma decisão apenas acadêmica e passa a fazer parte da progressão na carreira.
Foi esse o caminho seguido pela psicóloga e analista do comportamento Daniela Landim, certificada BCBA, QBA e IBA.
“Quando decidi fazer mestrado, eu sabia o que queria. Meu objetivo não era seguir uma carreira acadêmica no Brasil, mas avançar nas certificações internacionais em ABA. Naquele momento, o acesso era muito mais difícil e o investimento foi alto. Hoje existem possibilidades que eu não tive”, conta Daniela.
O valor de um mestrado depende também de onde o profissional pretende chegar.
O currículo precisa justificar o nível de mestrado
Mais do que acumular disciplinas, uma formação nesse nível precisa aprofundar a capacidade de analisar evidências, trabalhar com dados e compreender os fundamentos que sustentam as decisões profissionais.
No Brasil, a análise do comportamento tem tradição acadêmica consolidada, com programas de mestrado e doutorado em universidades públicas e privadas. Levantamento publicado em 2024 na revista científica Behavior Analysis in Practice aponta que esses programas têm forte vocação para a formação de pesquisadores e docentes. Para quem atua na prática clínica, educacional ou organizacional, isso torna relevante avaliar quanto do currículo se conecta à aplicação profissional.
O Master of Science in Applied Behavior Analysis da Greenfort University (GFU) possui 40 créditos acadêmicos, divididos entre currículo central e disciplinas eletivas. A estrutura contempla princípios do comportamento, métodos de pesquisa, análise conceitual, ética, avaliação e intervenção, além de aplicações em contextos clínicos, educacionais e organizacionais.
Em Métodos de Pesquisa, o aluno trabalha com mensuração comportamental, delineamentos de sujeito único, coleta e análise de dados. Em Análise Conceitual, aprofunda fundamentos filosóficos e teóricos da ciência do comportamento. Nas disciplinas aplicadas, esses conhecimentos são relacionados à avaliação, ao planejamento de intervenções e à tomada de decisão orientada por dados.
A diferença entre uma formação anterior e um mestrado não está só na carga horária, mas no nível de aprofundamento esperado do profissional.
Para quem já atua com ABA, isso envolve ampliar a capacidade de avaliar evidências, analisar casos, interpretar dados e sustentar decisões a partir dos princípios da ciência do comportamento.
Foi um dos pontos observados pelo professor Daiton ao buscar uma formação internacional.
“Eu buscava uma formação que fosse além da transmissão de conteúdos teóricos, que me ajudasse a desenvolver raciocínio clínico e a aplicar os princípios da ABA na prática profissional. O mestrado ampliou minha capacidade de analisar casos, tomar decisões e compreender de forma mais aprofundada os princípios que orientam a intervenção comportamental”, afirma.
“Foi mais do que conseguir uma certificação. Essa experiência contribuiu para construir uma base conceitual e prática que continua influenciando minha atuação como analista do comportamento, pesquisador, supervisor e diretor clínico.”
Na escolha do programa, também pesaram o currículo, a experiência e a qualificação do corpo docente, a didática e a estrutura de supervisão da instituição.
O programa da GFU inclui estudos de caso e componentes aplicados ao longo das disciplinas, aproximando o conteúdo acadêmico de situações encontradas na prática profissional.
Quem ensina ajuda a mostrar até onde a formação pode levar
Se a matriz curricular mostra o que será estudado, o corpo docente indica as experiências, referências e perspectivas que entram na formação.
O mestrado da Greenfort University reúne professores com trajetória acadêmica e profissional em diferentes países e contextos da Análise do Comportamento. Entre eles estão Mariela Feldman, EdD, QBA e BCBA, professora do programa e Chair do International Development Committee da QABA Credentialing Board; Juliana Aguilar, BCBA-D, Clinical Assistant Professor e diretora dos programas de ABA da Purdue University; e Matthew Edelstein, BCBA-D, psicólogo clínico e professor na Johns Hopkins Medicine. Entram ainda nessa lista Brittany Bly, BCBA-D, doutora pelo Teachers College da Columbia University; Yors Garcia, BCBA, doutor pela Utah State University e professor na Pontificia Universidad Javeriana, na Colômbia; e Manuel Rodriguez, BCBA, CEO da OBM Enterprises e consultor internacional em comportamento organizacional.
Esse contato amplia a formação além do conteúdo programático: o aluno estuda com profissionais inseridos em diferentes espaços da ciência, da prática e da organização profissional da ABA.
E para quem já fez uma pós-graduação em ABA?
Nesse caso, o profissional não precisa começar a formação internacional do zero.
A Greenfort University avaliou academicamente conteúdos da Pós-graduação em ABA da ABAEDU e estabeleceu equivalência para parte da formação. Alunos e egressos elegíveis podem aproveitar os créditos correspondentes e seguir para as disciplinas remanescentes do Master of Science in Applied Behavior Analysis.
O profissional mantém a pós-graduação concluída no Brasil e acrescenta um mestrado americano à trajetória, aproveitando parte dos estudos anteriores.
Para quem ainda cursa a Pós-graduação em ABA da ABAEDU, essa possibilidade permite pensar a formação como uma progressão: da especialização ao mestrado e, conforme o objetivo de cada profissional, aos processos de certificação internacional.
Um mestrado americano pode ser cursado sem sair do Brasil?
Sim.
O Master of Science in Applied Behavior Analysis da Greenfort University é 100% online e pode ser cursado por profissionais que permanecem no Brasil. Atualmente, o programa tem oferta em português, espanhol e inglês, com expansão prevista também para o árabe.
No Brasil, a ABAEDU atua em cooperação acadêmica com a Greenfort University. Para alunos e egressos elegíveis da Pós-graduação em ABA, parte dos créditos já cursados pode ser aproveitada no percurso do mestrado.
O profissional pode cursar um mestrado emitido por uma universidade americana enquanto mantém a atuação profissional no Brasil.
O que significa ter um mestrado americano no currículo?
O diploma emitido pela Greenfort University é um diploma estrangeiro de mestrado.
Para objetivos ligados à progressão internacional em ABA, ao aprofundamento científico ou à certificação profissional, a titulação pode compor essa trajetória como mestrado americano.
Há uma distinção quando o profissional pretende que o título produza no Brasil os efeitos acadêmicos de um diploma nacional de mestrado. Nesse caso, diplomas estrangeiros de mestrado e doutorado passam por reconhecimento, conduzido por universidade brasileira habilitada para esse procedimento. A Plataforma Carolina Bori, do Ministério da Educação, reúne essas solicitações. Dados apresentados pelo ministério em 2023 mostram que os pedidos de reconhecimento de mestrado registrados na plataforma passaram de 563 em 2017, ano de seu lançamento, para 2.550 em 2022.
O processo é individual e depende da finalidade que o profissional pretende dar ao título.
Daniela Landim, por exemplo, não solicitou esse reconhecimento porque o objetivo de sua formação estava ligado à trajetória internacional em ABA e às certificações profissionais.
“Eu não reconheci meu mestrado no Brasil porque esse não era o meu objetivo. O que eu buscava era a certificação internacional e o reconhecimento dentro da área, e foi esse caminho que a formação me permitiu construir”, relata.
Antes de escolher uma formação internacional, é preciso saber o que se pretende fazer com o título depois.
O que vale comparar antes de escolher
Para profissionais de ABA, a comparação entre mestrados internacionais passa por algumas perguntas concretas.
Quem concede o diploma? A instituição responsável pelo grau acadêmico e sua situação no país de origem precisam estar claras.
O currículo representa um avanço em relação à formação que o profissional já possui? O mestrado precisa aprofundar ciência, pesquisa, análise de dados e tomada de decisão, não repetir conteúdos introdutórios.
Quem são os professores? Experiência acadêmica, pesquisa, atuação clínica, supervisão e participação em organizações profissionais ajudam a mostrar quais perspectivas o aluno encontrará durante a formação.
A formação se conecta aos objetivos de certificação do profissional? Para quem busca QBA ou IBA, é importante entender quais requisitos acadêmicos o programa ajuda a cumprir e quais etapas continuam sendo responsabilidade do candidato.
É possível aproveitar uma formação anterior? Para alunos e egressos elegíveis da ABAEDU, a equivalência acadêmica estabelecida com a Greenfort University permite aproveitar créditos da pós no percurso do mestrado.
O formato cabe na vida profissional? Modalidade, idioma e organização acadêmica também fazem diferença para quem precisa conciliar formação avançada e atuação profissional.
Mais do que decidir por um mestrado americano, o que importa é saber qual trajetória profissional aquela formação permite construir.
Conheça o mestrado
A ABAEDU disponibiliza informações sobre o Master of Science in Applied Behavior Analysis da Greenfort University, incluindo currículo, corpo docente, modalidade, relação com certificações internacionais e aproveitamento de créditos para alunos e egressos elegíveis da Pós-graduação em ABA.
CONHEÇA O MESTRADO AMERICANO EM ABA
Conheça também a ABAEDU, instituto da Faculdade Península, em abaedu.com.br.




