Geral

Salto do agro: o eVTOL Skyros, apresentado por Urandir, otimiza o tempo no campo

O agronegócio brasileiro, historicamente dependente de maquinário pesado terrestre e da aviação agrícola tradicional, está prestes a vivenciar uma nova revolução logística e operacional. A introdução dos veículos elétricos de pouso e decolagem vertical (eVTOLs) de carga promete transformar radicalmente a velocidade com que defensivos e fertilizantes são aplicados nas lavouras. No epicentro dessa transição tecnológica no Centro-Oeste está o Skyros, um equipamento aéreo de grande porte apresentado por Urandir Fernandes de Oliveira durante a 86ª Expogrande, em abril de 2026

Descrito por sua equipe de desenvolvimento como o maior “carro voador” voltado especificamente para o setor agropecuário, o Skyros foi projetado para atuar na pulverização em larga escala e na logística pesada diretamente nas frentes de plantio. Diferentemente dos drones agrícolas comuns (que possuem capacidade de carga restrita e exigem múltiplas paradas para reabastecimento), o novo eVTOL combina alta capacidade de transporte com a mobilidade ágil de um helicóptero. Por ter pouso e decolagem verticais, a aeronave elimina a necessidade de pistas de pouso nas fazendas, permitindo operações descentralizadas.

Na ficha técnica, o Skyros é classificado como um eVTOL do tipo multicopter, com pilotagem autônoma e também comandável. A aeronave conta com sistema de propulsão elétrica distribuída (DEP, na sigla em inglês), formado por oito motores acoplados a oito hélices e alimentado por baterias elétricas. Segundo as especificações divulgadas, o equipamento alcança velocidade máxima de 130 km/h e pode permanecer até 60 minutos em voo, com altitude de cruzeiro entre 300 e 500 metros, parâmetros que, de acordo com o projeto, podem variar conforme a legislação local.

Em relação à carga, o Skyros tem capacidade para 400 litros. A aeronave pesa 300 kg vazia e foi projetada para decolar com até 700 kg, o chamado peso máximo de decolagem (MTOW, na sigla em inglês). Apesar do porte, a estrutura é compacta: são 5 metros de comprimento, 4,80 metros de largura e 1,40 metro de altura.

Para Urandir Fernandes de Oliveira, presidente do Ecossistema Dakila e principal entusiasta do projeto, a adoção dessa tecnologia responde à demanda mais crítica do produtor contemporâneo: a otimização do tempo. A agilidade do equipamento permite que a aplicação de insumos seja realizada nas janelas climáticas ideais, o que maximiza a absorção pelas plantas e minimiza o desperdício gerado por chuvas inesperadas ou ventos fortes. Além disso, a operação 100% aérea do Skyros soluciona um problema crônico das grandes propriedades: a compactação do solo causada pelo trânsito constante de tratores e pulverizadores terrestres, fator que frequentemente compromete a produtividade da terra.

A apresentação do maquinário em um evento do porte da Expogrande reforça uma nova fase de expansão nas iniciativas lideradas por Urandir. Ao direcionar investimentos e pesquisas para o desenvolvimento de soluções voltadas à agricultura de precisão, o empresário visa consolidar o estado de Mato Grosso do Sul não apenas como um gigante na exportação de commodities, mas também como um polo pioneiro na implementação de tecnologias limpas e eficientes que ditarão o futuro do trabalho no campo.