FIDCs ampliam opções de financiamento para empresas crescerem no país
O crescimento de uma empresa quase sempre traz uma questão decisiva: como financiar a expansão sem comprometer o caixa? Em um cenário no qual negócios precisam investir, contratar, comprar equipamentos e antecipar recursos para sustentar suas operações, o mercado de capitais vem ganhando espaço como alternativa às linhas tradicionais de crédito.
É nesse ambiente que a trajetória de Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, se conecta diretamente a uma transformação que começa a alcançar empresas de diferentes setores da economia brasileira. A expansão dos Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) abriu novas possibilidades para companhias que possuem recebíveis e precisam transformar valores futuros em recursos para movimentar seus negócios.
Na prática, muitas empresas vendem hoje, mas recebem somente depois de 30, 60 ou 90 dias. Embora exista receita, o dinheiro ainda não entrou no caixa. Essa distância entre faturamento e recebimento pode limitar investimentos, aquisição de estoque, contratação de profissionais e até projetos de expansão.
Durante décadas, os bancos ocuparam posição predominante na solução dessa necessidade. O avanço do mercado de capitais, entretanto, ampliou as possibilidades. Dependendo das características da operação, direitos creditórios podem integrar estruturas capazes de conectar empresas que precisam antecipar recursos a investidores interessados em financiar esses fluxos.
É justamente nesse mercado que Rodrigo Balassiano desenvolveu parte importante de sua especialização.
À frente de uma operação que reúne mais de 550 fundos e supera R$ 50 bilhões sob administração e custódia na ID CTVM, o executivo acompanha uma mudança de escala que exige mais do que crescimento financeiro. Tecnologia, análise de risco, governança e conhecimento sobre diferentes setores passaram a ser fundamentais para sustentar essa expansão.
Crédito acompanha diferentes modelos de negócio
Uma das características dos FIDCs é a possibilidade de trabalhar com direitos creditórios originados em diferentes atividades econômicas. Isso aproxima o mercado financeiro da realidade de empresas que vendem produtos, prestam serviços, operam frotas, fornecem equipamentos ou possuem contratos com pagamentos futuros.
Para Rodrigo Balassiano, essa diversidade representa uma oportunidade, mas também exige maior especialização. Isso porque um recebível não pode ser analisado apenas pelo valor ou pela data de vencimento. É necessário compreender a atividade econômica que originou aquele crédito.
Questões como concentração de clientes, histórico da carteira, capacidade operacional da empresa e comportamento dos pagamentos ajudam a construir uma avaliação mais ampla. Nesse contexto, a análise do originador passa a ter importância durante toda a vida da operação.
Uma empresa pode apresentar bons indicadores em determinado momento e enfrentar mudanças posteriormente. Clientes podem sair da carteira, receitas podem oscilar e uma expansão acelerada pode modificar seu perfil financeiro. Por isso, acompanhar informações de forma contínua tornou-se parte relevante da infraestrutura do crédito privado.
Tecnologia ganha espaço na análise
Com centenas de fundos e grandes volumes de informações sendo processados, a tecnologia passou a desempenhar papel estratégico. Sistemas podem organizar dados, realizar conciliações, identificar exceções e apontar situações que precisam de análise especializada.
Na visão de Rodrigo Balassiano, automação não significa simplesmente executar uma tarefa mais rapidamente. O principal ganho está na capacidade de realizar verificações de maneira consistente e ampliar a capacidade de controle.
Essa evolução também interessa diretamente ao universo empresarial. Quanto mais eficiente se torna a infraestrutura financeira, maior pode ser a capacidade do mercado de receber operações originadas em diferentes segmentos da economia.
Um exemplo está no setor de locação de veículos e equipamentos. Empresas desse segmento precisam realizar investimentos elevados para formar ou renovar suas frotas antes mesmo de gerar receita. Contratos de médio e longo prazo criam fluxos futuros que, dependendo da estrutura, podem fazer parte de operações de crédito.
Nesse caso, entretanto, analisar somente o contrato pode não ser suficiente. Veículos envelhecem, equipamentos sofrem desgaste e os valores de mercado mudam. É um exemplo de como cada atividade empresarial possui riscos específicos.
Crescimento exige governança
A expansão do crédito privado também elevou a importância da governança. Para Rodrigo Balassiano, crescer sem desenvolver processos, tecnologia e controles na mesma velocidade pode criar fragilidades operacionais.
A ID CTVM chegou a mais de 550 fundos e R$ 50 bilhões sob administração e custódia em um momento no qual o próprio mercado passa por mudanças regulatórias e tecnológicas. A Resolução CVM 175, por exemplo, reorganizou aspectos importantes da indústria de fundos e exigiu adaptações de procedimentos, sistemas e responsabilidades.
Ao mesmo tempo, novas tecnologias começam a modificar a forma como ativos podem ser registrados e movimentados. A tokenização aparece nesse cenário como uma possibilidade de evolução da infraestrutura financeira, mas não elimina a necessidade de analisar aquilo que existe por trás do ativo.
Para Rodrigo Balassiano, a inovação precisa caminhar junto com segurança e governança. Digitalizar um direito creditório não altera automaticamente sua qualidade econômica: continuam existindo empresas, contratos, devedores, originadores e riscos que precisam ser compreendidos.
Para pequenas e médias empresas, essa transformação pode representar um mercado com alternativas cada vez mais diversificadas para financiar operações e projetos de crescimento. Para as instituições responsáveis pela infraestrutura, porém, significa administrar uma quantidade crescente de dados, responsabilidades e riscos.
É justamente nessa convergência entre empresas, crédito, tecnologia e mercado de capitais que Rodrigo Balassiano vem construindo sua atuação.
O avanço dos FIDCs mostra que o próximo ciclo do crédito privado brasileiro não deverá ser medido apenas pelo volume de recursos movimentados. A capacidade de transformar recebíveis da economia real em estruturas eficientes de financiamento, com tecnologia, controle e governança, tende a ser igualmente decisiva.
Nesse cenário, o mercado de capitais se aproxima cada vez mais do cotidiano empresarial e pode se consolidar como uma das rotas para companhias que buscam recursos para financiar a próxima etapa de seu crescimento.




