O hiato entre o que a academia ensina e o que o mercado exige nunca foi tão evidente. Especialista aponta que empresas que entenderam isso criaram uma vantagem que nenhum concorrente consegue copiar
Por Cândida Cataldi | Psicanalista Estrategista de Carreira e Negócios com Saúde Mental Integrada, Conselheira de Expansão com 20 anos de trajetória
Existe uma pergunta que pouquíssimas empresas se fazem e que, quando finalmente se fazem, muda a forma de gerir pessoas para sempre: de quem é a responsabilidade de formar o profissional que trabalha comigo?
A resposta automática é da faculdade, do mercado ou do próprio colaborador. É exatamente essa resposta que está custando bilhões em rotatividade, retrabalho e oportunidades perdidas para empresas de todos os tamanhos.
A psicanalista estrategista Cândida Cataldi, fundadora da Energia Sistêmica, é direta: toda empresa é uma escola. A questão é se ela vai ser uma escola por acidente, deixando a aprendizagem acontecer no tentativo e erro, ou de forma intencional, estratégica e lucrativa.
O que é, de fato, uma Universidade Corporativa
Antes de avançar, há um ponto jurídico que muitas empresas desconhecem. No Brasil, o termo universidade isolado é regulado pelo MEC e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Uma empresa privada não pode se denominar simplesmente universidade sem credenciamento acadêmico formal.
No entanto, a denominação Universidade Corporativa é amplamente reconhecida e utilizada no mercado como nome de uma unidade de negócio educacional interna. Essa prática é adotada por empresas como Ambev, McDonald’s, Natura, Siemens e centenas de PMEs estruturadas. O termo sinaliza intenção estratégica, não credenciamento acadêmico.
Uma Universidade Corporativa é a estrutura interna que uma empresa cria para sistematizar, transmitir e multiplicar o conhecimento que faz ela funcionar e crescer. Não é uma plataforma de e-learning. É uma arquitetura viva de aprendizagem que conecta o conhecimento da organização com os resultados que ela quer produzir.
Os números que deveriam tirar qualquer gestor do sossego
80%de aumento nas contratações formais no setor de serviços entre 2021 e fevereiro de 2026, que representa 57% do PIB brasileiro, segundo dados do CAGED.
Fonte: CAGED · Ministério do Trabalho e Emprego, 2026
+27%de aumento na rotatividade no mesmo período. Mais contratações, mas ciclos de permanência cada vez mais curtos, em média de 6 a 8 meses por colaborador.
Fonte: IBGE · RAIS · Levantamentos setoriais, 2025
200%do salário anual. Esse é o custo estimado de substituir um colaborador de nível sênior, incluindo recrutamento, onboarding, perda de produtividade e transferência de conhecimento. Fonte: Society for Human Resource Management (SHRM)
“Não é só dinheiro que vai embora quando um colaborador sai. É a memória institucional, as relações que ele construiu, o conhecimento que ele acumulou e que a empresa nunca sistematizou.”
Isso não é exclusividade das grandes empresas
Existe um mito que precisa ser destruído: a ideia de que Universidade Corporativa é coisa de Amazon, McDonald’s ou Ambev. Para uma empresa de 15, 30 ou 80 pessoas, perder dois colaboradores-chave em seis meses pode significar a diferença entre crescer e travar.
Escala se constrói com pessoas que entendem o negócio. Pessoas que entendem o negócio se constroem com educação intencional. Educação intencional é Universidade Corporativa.
NR-01 e ESG: o que está em jogo
A atualização da Norma Regulamentadora NR-01 tornou obrigatório para todas as empresas brasileiras o gerenciamento de riscos psicossociais no ambiente de trabalho, incluindo estresse, burnout e pressão excessiva.
Empresas que estruturarem sua cultura de saúde mental dentro de uma UC saem na frente.
O ESG ainda é tratado por muitas empresas como pauta periférica. Esse é um erro estratégico grave. Empresas que estruturam suas práticas alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ficam automaticamente em conformidade com regulamentações nacionais e internacionais, o que representa diferencial real em processos licitatórios, captação de investimento e acesso a mercados globais.
“A academia forma para o conhecimento. O mercado exige performance. Entre os dois, existe um hiato que as empresas mais inteligentes decidiram preencher, e transformaram isso em vantagem competitiva.”
Energia Sistêmica é um ecossistema de Posicionamento, Saúde Organizacional e Educação Corporativa integrados sob a Metodologia Presença Estratégica®. Presente desde 2020 com atuação em 27 estados e 12 países, impactando mais de 5.600 profissionais. Acesse: energiasistemica.com
