Do cockpit ao check-in: como Pedro Ramalho transformou um motel abandonado em fenômeno digital entre os “Motelovers”

Quem acompanha as redes sociais provavelmente já ouviu alguém falar “Motelovers”. O bordão, que viralizou entre seguidores e curiosos da internet, nasceu de forma espontânea, mas acabou se transformando em uma verdadeira comunidade criada por Pedro Ramalho, influenciador e empresário de 26 anos que decidiu trocar o glamour das redes, e até a cabine de um avião, pelo desafio improvável de administrar um motel.

Natural de Londrina, no Paraná, Pedro vive hoje uma das fases mais comentadas da sua trajetória à frente do The Eye Motel, empreendimento que ganhou notoriedade justamente pela forma diferente como passou a se comunicar com o público. Mas o que muita gente talvez não saiba é que, antes de se tornar empresário do ramo de motelaria, ele acumulou experiências completamente diferentes, e todas acabaram ajudando a construir o personagem que hoje movimenta milhões de visualizações na internet.

Antes da fama digital, Pedro foi piloto de avião durante seis anos. A profissão, segundo ele, foi essencial para desenvolver disciplina, responsabilidade emocional e capacidade de liderança. Depois, vieram os concursos de beleza, incluindo o título de Mister Internacional representando o Brasil. O universo da imagem abriu espaço para a carreira como influenciador, mas foi justamente quando já possuía reconhecimento online que decidiu apostar em um caminho considerado arriscado até pelos próprios seguidores.

Pedro Ramalho (Foto: Divulgação)

A compra de um motel abandonado chamou atenção nas redes sociais e virou assunto justamente pela quebra de expectativa. Enquanto muita gente esperava ver o influenciador investindo em algo ligado à moda ou entretenimento tradicional, Pedro resolveu mergulhar em um setor que, na visão dele, ainda era pouco explorado em branding, marketing e experiência de público.

E foi exatamente aí que surgiu a virada de chave. Ao invés de esconder os bastidores da obra e da rotina empresarial, ele decidiu fazer o contrário: transformou o processo inteiro em conteúdo. Reforma, problemas estruturais, decisões difíceis, crises, mudanças de quarto, fornecedores e até perrengues da operação passaram a ser compartilhados diariamente nas redes. O chamado “diário de reforma” acabou criando uma conexão rara com os seguidores, que passaram a acompanhar não apenas o crescimento do motel, mas também a transformação pessoal do empresário.

A grande sacada de Pedro foi entender que o público atual não se conecta mais apenas com ostentação ou estética perfeita. Existe interesse em acompanhar histórias reais, riscos reais e pessoas saindo da zona de conforto. E foi justamente essa vulnerabilidade que ajudou a consolidar o fenômeno dos “Motelovers”.

Hoje, o bordão ultrapassa a internet. Segundo ele, é comum ser abordado em aeroportos, festas, ruas e até dentro do próprio motel por pessoas que se apresentam como parte da comunidade. Mais do que fãs, muitos seguidores passaram a se sentir participantes do projeto, opinando sobre quartos, sugerindo ideias e acompanhando cada nova etapa do The Eye Motel como se fossem sócios emocionais da marca.

Pedro, que tem mais de 140 mil seguidores no Instagram, costuma brincar que “o influenciador virou Motelover”, mas, por trás da frase descontraída, existe uma estratégia muito clara: transformar um empreendimento físico em uma experiência de pertencimento digital.

A fórmula parece ter funcionado. O The Eye Motel deixou de ser apenas um negócio de hospedagem íntima e passou a ser visto como uma marca de entretenimento, arquitetura, experiência e posicionamento nas redes sociais. O empresário acredita que os motéis modernos vivem uma mudança de comportamento e que o setor deixou de ser associado apenas ao encontro íntimo para se tornar também um espaço de desconexão da rotina, relaxamento e imersão.

Mesmo com a nova fase empresarial, Pedro garante que o lado influenciador continua mais vivo do que nunca, talvez até mais forte. Segundo ele, a diferença é que agora existe profundidade na conexão com o público. “As pessoas não acompanham só minha imagem. Elas acompanham uma construção real”, afirma.

E os planos estão longe de parar por aí. O empresário revelou que pretende expandir ainda mais a marca The Eye Motel nos próximos meses, investindo em suítes temáticas, experiências imersivas e projetos voltados para tecnologia e entretenimento. A ideia é transformar o empreendimento em uma referência nacional dentro do setor de motelaria.

Para quem acompanha sua trajetória, talvez o que mais impressione seja justamente a capacidade de mudar de rota sem medo. Piloto, Mister, influenciador e agora empresário, Pedro Ramalho construiu uma carreira pouco linear, e talvez seja exatamente isso que explique o fascínio do público pela sua história. Em tempos de internet acelerada e personagens fabricados, ele parece ter encontrado algo que anda cada vez mais raro: autenticidade.

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